Dieta Nutrição

Páscoa X Dieta: De bem com o chocolate

15/04/2014
chocolate e dieta


Branco, ao leite, meio amargo, crocante, amargo, trufado, mesclado… A Páscoa nem chegou e já são muitos os nomes do pesadelo de muitas pessoas – o chocolate! Aliás, discussões religiosas à parte, ele parece ser a única coisa lembrada nesta época (ou pelo menos é o hit dentre as notícias e brincadeiras de páginas das redes sociais): preço da barra X preço do ovo de Páscoa…

Vocês já sabem que não gosto de colocar nomes pejorativos ou sensacionalistas nos alimentos, disse “pesadelo” porque as pessoas costumam simplesmente associar o chocolate em algo rico em açúcares, gorduras, calorias e que, em excesso ao longo do tempo, pode contribuir para o acúmulo de gordura corporal, obesidade, diabetes, etc, ou seja, só coisas ruins!

De fato o chocolate possui em sua composição gordura saturada (aquelas associadas ao aumento do risco de infarto e doenças cardiovasculares). Porém, a gordura mais abundante nele o ácido esteárico que, apesar de saturado, este ácido graxo surpreendentemente não aumenta os níveis de LDL (colesterol “ruim”) no sangue! Estudos mostram que o consumo moderado de chocolate, sobretudo os com maior teor de cacau, não alteram os níveis de LDL (colesterol “ruim”) do sangue e outros afirmam que este consumo pode até elevar em 4% o HDL (colesterol “bom”) do sangue. Apesar do fato, os pesquisadores ainda não sabem explicar ao certo do motivo pelos quais o este ácido esteárico não provoca impactos negativos na saúde cardiovascular.

Além disso, o cacau é rico em polifenois que estão associados à atividade antioxidante capaz de reduzir os riscos do desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Sabem como isso acontece? Vou simplificar:

chocolate e dieta

  • Com uma alimentação rica em gorduras saturadas/trans (alimentos industrializados ultraprocessados, congelados, fast food, gorduras de origem animal, etc) e/ou LDL aumentado por questões genéticas há um acúmulo de gorduras nas paredes dos vasos sanguíneos.
  • Como isto não é natural de estar ali, nosso corpo manda células de defesa pra tentar “comer” a gordura de lá e gera inflamação.
  • Da inflamação, geram espécies reativas de oxigênio (o LDL se oxida) e, com o tempo, as paredes dos vasos vão ficando fibrosos (duros, cheios de “cicatrizes”).
  • Se este processo não se interrompe (com a adequação da alimentação, atividade física e/ou medicamentos) esse tecido fibroso vai engrossando até fechar a passagem do sangue. Quando isso acontece, o coração, por exemplo, deixa de receber sangue (oxigênio e nutrientes) e os tecidos morrem – Isto é o infarto!

O papel dos polifenóis (presentes no cacau, no pigmento escuro das uvas, algumas frutas e hortaliças) é justamente doar partículas (elétrons) para essas espécies radioativas de oxigênio (assim eles ficam estáveis) e reduzir a oxidação. Por isso são ANTIOXIDANTES. Ahhhhhh!…

Isso ocorre no processo inflamatório das doenças cardiovasculares mas funciona também nos processos oxidativos de outras coisas, como por exemplo proteção do DNA para prevenção de câncer.

Um outro assunto interessante (e mais concreto e comentado no post sobre TPM) é que o consumo moderado de chocolate pode trazer sensação prazer e bem-estar por causa da liberação de endorfinas e serotonina.

chocolate e dieta


Convencidos?

Chocolate é bom, cheiroso, saboroso, derrete na boca e ainda traz alguns benefícios à saúde. Mas cuidado, não acreditem em milagres!

Os estudos do cacau se iniciaram com a crescente disseminação de informações nutricionais – as vendas de chocolate despencaram e os produtores e indústrias do cacau decidiram a financiar pesquisas. Por sorte encontraram as tais propriedades citadas. Do contrário, teriam perdido muito dinheiro.

É claro que, com relação aos benefícios que citei, quanto maior for o teor de cacau no chocolate, melhores são os resultados. Portanto até o chocolate meio amargo foi soterrado pelas versões de 70% de cacau em diante nos mercados.

Se a proporção de “quanto mais, melhor” funciona para o teor do cacau, esta não vale para a quantidade! A porção diária recomendada é de 30 gramas por dia, que equivale a 1 tablete pequeno (de 4 quadradinhos), ou 1 trufa ou 1 bombom grande ou 2-3 bombons pequenos ou 1 lasca de 30 gramas de ovo de Páscoa! Isso vai variar conforme o tipo de chocolate, fabricante, etc.

Sei que muitas vezes o que existe na teoria não procede na prática, certo? Em caso de exagero, não há razões para se descabelarem! Não deixem que um momento de reflexão, celebração, um momento agradável em família seja tomado pela neura. Páscoa só tem 1 vez ao ano…

Feliz Páscoa!

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Referências:

Pimentel FA. Avaliação do poder antioxidante do chocolate amargo – um comparativo com o vinho tinto [dissertação]. Porto Alegre (RS): UFRGS; 2007.

Philippi, ST et al. Pirâmide alimentar adaptada: guia para escolha dos alimentos. Rev. Nutr.,  Campinas,  v. 12,  n. 1, abr.  1999.


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