Dieta Nutrição Saúde

Comer pra quê?

21/02/2014


O calorão deu uma trégua, espero que tenham gostado das receitas fresquinhas doces salgadas de verão e espero que estejam trocando os ingredientes de acordo com a preferência de vocês! É muito legal brincar com o que temos disponível, trocar as cores dos pratos, sair da rotina…

Pensei muito no desabafo da Julia e preferi dar um tempo com as receitas pra abordar um outro assunto que fica muito evidente nesta época do ano (lê-se carnaval e verão): o corpo e a comida.

É claro que a comida está muito atrelada ao corpo – nossas células gastam muitas moléculas como água, vitaminas, minerais, proteínas, gorduras, açúcares para manter o organismo funcionando adequadamente e estas precisam ser repostas pela alimentação. Além disso, nosso corpo gasta muita energia executando as funções e tarefas diárias, e o quanto de calorias que colocamos de volta ao longo dos dias pode dizer se vamos ganhar, perder ou manter o peso.



Não existem motivos certos ou errados pelos quais buscamos alimento. Esta é a visão biológica da nutrição e é apenas 1 dos aspectos a serem considerados.

O corpo humano não é uma máquina e colocar alimentos pra repor perdas não é algo simples e automático assim. Tampouco fácil é a equação consumo energético versus gasto calórico. Há fatores a serem considerados como sexo, idade, genética…

Comemos quando estamos com fome e paramos de comer quando estamos saciados. Também comemos um pouco a mais (porque estava tão bom…) e um pouco a menos porque o dia não foi fácil… E aqueles dias em que, mesmo sem fome, tomamos um cafezinho só pra acompanhar aquele amigo que não vemos há anos?! Comemos um pouco melhor quando o dinheiro dá, mas às vezes é o que se pôde arrumar…

Existe o comer intuitivo, o comer emocional, social, cultural…

Na busca desenfreada pelo corpo perfeito a gente perdeu a mão do que é possível, do que é real, atingível, saudável, plausível…
Passar fome ou se entupir de comida e suplementos para alcançar um peso incompatível com seu biotipo passou a ser sinônimo de saúde, e não é! Cada vez mais vejo pessoas com o peso “adequado” (segundo o IMC) fazendo maluquices. Isto significa ignorar seus sinais de fome e saciedade. O bebê tem isso muito claro: chora quando está com fome e para de mamar quando está satisfeito. Nascemos com este controle, ouvimos e satisfazemos nossas necessidades inconscientemente, mas com a rotina e imposição de certos valores, estes sinais ficam todos atrapalhados!


Além disso, não vamos conseguir o corpo do verão, do carnaval, do casamento ou qualquer outro evento, com uma dieta de emergência. Isso só vai reforçar uma ligação disfuncional entre comida e o corpo, reforçando que privação é motivo de orgulho, determinação, sentimentos positivos e comer algo prazeroso é sinônimo de fracasso, preguiça e sentimentos negativos relacionados ao corpo (que leva novamente à restrição e assim sucessivamente).

Não se trata de “defender a obesidade” ou “fazer apologia a obesidade” (como muitas vezes já ouvi). Aliás, só pra constar, de nada está adiantando esse sensacionalismo ou radicalismos. Precisamos fazer as pazes com a comida, cuidar da alimentação, prestar atenção nos sinais do corpo e da mente, encontrar uma atividade física prazerosa (não necessariamente aquela que “gasta mais calorias” ou que está na mídia), gostar do corpo e respeitá-lo. Afinal, quem consegue cuidar de algo de que não gostamos?

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Comentários

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2 comentários

  1. Oi Thaís!

    Sua postagem foi incrível! Desmistifica essa loucura que muitos tem em achar que comer bem é sinônimo de comer muito e mal! E que se privar é ter força.Quando, na verdade, se privar é se violentar! Há muitas opções saborosas e saudáveis (você, aqui no Blog, deu dicas sensacionais!). Gosto muito da maneira como você redige. Tem agilidade, coerência e é super gostoso de ler (além das imagens, que são ótimas!!). A segunda foto traduz perfeitamente o que acontece na atual construção da estética! Legal mesmo é fazer boas escolhas, ficar bem, e saber que está saudável! Seu post contribui muito! 🙂

    Beijos saborosos… 🙂

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