Acessórios Moda

Trabalhar com moda não é frescura

13/11/2013
Abdico da impessoalidade do jornalista e escrevo esta coluna* em primeira pessoa. Ao ouvir de um amigo a frase “trabalhar com moda é bacana. Ganha muito e faz pouco”, me irritei e passei a refletir sobre como é fazer esse trabalho. 
Minha história nesse meio começou em 2009. Descobri um jornalismo mais leve, dedicado a um mercado em expansão no Brasil. Nunca tive uma visão glamourizada do negócio. Por vezes achava impossível se dar bem falando desse assunto na região. Mas cá estou. 
Ao contrário do pensamento de muitos, para trabalhar com moda não basta saber combinar peças de roupa ou cores. É preciso se especializar. O mercado se atualiza todos os dias e estar por dentro de todos os assuntos possíveis, é essencial. Pesquisas constantes, noites em claro, planejamentos infinitos. Tudo isso passa a fazer parte da vida de um “modeiro”. 
Fazer uma produção de moda não é o luxo imaginado pelas pessoas. Para alcançar o resultado apresentado em páginas de revistas e jornais, é percorrido um longo caminho. 
As roupas e acessórios precisam ser escolhidos, a modelo certa para contemplar o tema precisa ser encontrada, a locação ideal deve ser localizada. Durante, alguém precisa ajudar a trocar a roupa, as solas dos sapatos devem ser cobertas com fita crepe, nossa famosa expressão “crepar”. Depois, tudo precisa ser levado de volta à loja. 
Cobrir uma semana de moda, então, ao contrário do imaginado, é um desgaste e não uma diversão. Percorrer salas de desfiles, brigar por um computador na sala de imprensa, encarar colegas de profissão mal humorados e ainda prestar atenção nas tendências apresentadas na passarela, é apenas uma amostra da rotina de um jornalista de moda. 
Ainda existem outras áreas de conhecimentos. Moda movimenta a economia, é nossa obrigação saber. Muitas referências são buscadas no mundo das artes, precisamos estar por dentro. A história da moda se confunde com a história do mundo, então, bate o arrependimento de não ter prestado atenção naquela professora da escola quando ela tentava explicar a Guerra Fria. Lá se vão mais algumas horas pesquisando. 
Não costura? Mas precisa entender sobre isso. Não escolhe tecidos? Deve saber o be-a-bá de sedas, linhos, malhas e afins. Não cria estampas? Fazer uma composição de linhas, cores e formas é o mínimo para o sucesso na carreira. 
Portanto, antes de tachar o trabalhador da moda como alguém fútil e vazio, é bom se conscientizar do quanto essa pessoa precisou estudar e se especializar para “falar de besteirinhas que não fazem a diferença na vida de ninguém”. Ou então, ao ler o traje exigido no convite de casamento da sua amiga, tente a sorte ao invés de perguntar a um especialista.
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*Publicado anteriormente no jornal A Hora do Vale.


Comentários

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2 comentários

  1. Não trabalho diretamente com jornalismo nem produção de moda, tenho apenas alguns clientes de moda para os quais faço trabalho em mídias sociais e, olha, “só” esse trabalho já não é fácil. Tenho que pesquisar muito e sempre estar ligada no que está acontecendo para não falar nenhuma besteira. Imagina quem vive e respira isso então! Admiro muito o trabalho de vocês! Adorei o texto!

    ;*

  2. Não que eu acredite que trabalhar com moda seja algo fútil ou frescura; sei que é algo necessário e que movimenta (e muito) a economia nacional e mundial, mas, como trabalho com a área da saúde (talvez seja por isso o meu desapego), acredito que não seja algo extremamente necessário… Enfim, acho que a intenção do texto de firmar a moda como algo não fútil não conseguiu me convencer muito…

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